O déficit primário acontece quando as receitas do governo com tributos e impostos não cobrem suas despesas. Quando as receitas superam as despesas, há um superávit primário.
Esse resultado não considera o pagamento dos juros da dívida pública e inclui o governo federal, estados, municípios e empresas estatais.
Em comparação com maio do ano passado, a situação piorou, já que naquele mês o saldo negativo foi de R$ 33,7 bilhões.
Confira abaixo o desempenho das contas em maio deste ano:
O governo federal teve um saldo negativo de R$ 55,2 bilhões; estados e municípios apresentaram um déficit de R$ 1,2 bilhão; enquanto as empresas estatais mostraram um superávit de R$ 273 milhões.
Nos primeiros cinco meses deste ano, as contas do governo acumularam um déficit primário de R$ 24,9 bilhões, o que representa 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB).
Isso representa uma piora em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve um superávit de R$ 69,1 bilhões, equivalendo a 1,34% do PIB.
Essa deterioração deve-se, entre outros fatores, à antecipação no pagamento de precatórios feita pela Secretaria do Tesouro Nacional. Somente o governo federal teve um resultado negativo de R$ 46,1 bilhões até agora, enquanto no mesmo período de 2025 havia superávit de R$ 31,2 bilhões.
Para este ano, a meta é que as contas do governo apresentem um saldo negativo de 0,25% do PIB, aproximadamente R$ 34,3 bilhões.
Conforme o arcabouço fiscal aprovado em 2023, há uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Assim, o governo poderá ser considerado formalmente em conformidade se alcançar um saldo zero ou um superávit de R$ 68,6 bilhões. Além disso, o texto permite que o governo exclua R$ 63,5 bilhões em despesas desse cálculo, recursos que podem ser usados para pagar precatórios, entre outros gastos.
Quando se incluem os juros da dívida pública na conta, o que é conhecido como resultado nominal, o setor público registrou um déficit de R$ 163,7 bilhões em maio.
No acumulado de 12 meses até maio, o resultado negativo foi de R$ 1,26 trilhão, ou 9,62% do PIB.
Esse dado é monitorado de perto pelas agências de classificação de risco, que o utilizam para definir a nota de crédito dos países, um indicador importante para investidores.
O resultado nominal das contas do setor público é afetado pelo desempenho mensal, pelas ações do Banco Central no câmbio e pela taxa de juros básica (Selic), que atualmente está em 14,25% ao ano, um nível elevado.
De acordo com o Banco Central, as despesas com juros nominais totalizaram R$ 1,1 trilhão (8,5% do PIB) nos doze meses até maio deste ano.
Com o déficit nas contas públicas em maio, a dívida do setor público consolidado aumentou 0,9 ponto percentual, atingindo 81,1% do PIB, o que equivale a R$ 10,62 trilhões.
Esse é o maior nível da dívida pública desde maio de 2021, quando estava em 81,4% do PIB, marcando o maior patamar em cinco anos.
Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida aumentou 9,4 pontos percentuais. Esse crescimento está ligado, principalmente, ao aumento dos gastos públicos e das despesas com juros.
Para o conceito brasileiro, a dívida pública está em % em relação ao PIB.
Pelo conceito internacional do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui os títulos públicos na carteira do Banco Central, a dívida brasileira foi ainda maior em maio, alcançando 94,3% do PIB.
Esse indicador é considerado por especialistas como o mais adequado para medir e comparar a dívida entre países, e o método do FMI é amplamente utilizado internacionalmente.
Acima de 90% do PIB, a dívida brasileira supera a de muitas nações emergentes e países da América do Sul, além de ser maior do que a média das nações da Zona do Euro, segundo dados do FMI.
DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS NO FIM DE 2025
Fonte: BC (REALIZADO EM 2025) E *ESTIMATIVAS DO FMI
Para tentar controlar o aumento da dívida, o governo aprovou em 2023 o chamado 'arcabouço fiscal', que estabelece novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos. De acordo com essas regras:
as despesas não podem crescer mais do que 70% do aumento da arrecadação; o aumento real dos gastos é limitado a 2,5% ao ano; o arcabouço visa conter o crescimento da dívida pública no futuro. Sem cortes significativos nas despesas, necessários para manter o arcabouço fiscal, especialistas acreditam que essa regra poderá ser abandonada ou alterada nos próximos anos.
Consequentemente, eles preveem uma expansão maior da dívida pública no futuro, o que pode levar ao aumento das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras ao setor produtivo.
Analistas do mercado financeiro estimaram na semana passada que a dívida pública brasileira deve alcançar 100% do PIB em 2035, segundo o conceito brasileiro, o que é bem distante dos países emergentes e mais próximo da Europa.
Pelo conceito do FMI, a dívida brasileira deve ultrapassar 110% do PIB em 2035.
➡️Pelo conceito adotado pelo FMI, a dívida brasileira estaria acima de 110% do PIB em 2035.
