Lula vai enfrentar um Mercosul mais conservador após as eleições nos países vizinhos.
O presidente Lula chega a Assunção nesta terça-feira (30) para a cúpula do Mercosul. Ele se depara com um cenário complicado, marcado pela ascensão de governos de direita na região e críticas à lentidão da ajuda brasileira após os terremotos que atingiram a Venezuela.
Qual é o principal desafio político de Lula nesta cúpula do Mercosul? O maior desafio é o isolamento ideológico. Diferente do começo de seu mandato em 2023, quando havia uma maioria de governos progressistas, o cenário político sul-americano mudou. Com a eleição de presidentes conservadores na Argentina, Chile, Equador e Peru, o Brasil se tornou a exceção no bloco, enfrentando resistência em questões ambientais e de direitos humanos.
Como a tragédia na Venezuela afeta a liderança regional do Brasil? A resposta aos terremotos na Venezuela se tornou um teste para a influência do Brasil. Especialistas acreditam que o país perdeu a oportunidade de reafirmar sua liderança ao enviar ajuda de forma mais lenta e em menor escala do que poderia. Os Estados Unidos e até países vizinhos como El Salvador e Argentina mobilizaram recursos significativos, o que contribui para a percepção de um declínio do protagonismo diplomático brasileiro.
O que mudou no funcionamento interno do Mercosul hoje? O bloco está se tornando mais um acordo comercial, se distanciando do projeto de integração política defendido pelo PT. Como o Mercosul opera por consenso, a falta de alinhamento ideológico força o Brasil a priorizar negociações bilaterais sobre infraestrutura e segurança, já que temas mais subjetivos ou políticos enfrentam barreiras com os novos governos de direita.
Quem são os novos interlocutores e como eles se relacionam com o governo brasileiro? Lula se vê diante de interlocutores que têm prioridades diferentes das do Planalto. Um exemplo é Javier Milei, da Argentina, que tem evitado se encontrar com o presidente brasileiro e tem dado atenção a figuras da oposição nacional, como o senador Flávio Bolsonaro. Essa divisão enfraquece a articulação do Brasil no bloco e dificulta a recuperação do protagonismo global que Lula buscava no início de seu mandato.
Qual ajuda humanitária o Brasil enviou efetivamente à Venezuela? O governo enviou três voos com 71 bombeiros, um hospital de campanha da Marinha com 48 efetivos, purificadores de água e cerca de 111 mil medicamentos. Embora a ajuda seja significativa, ela foi modesta em comparação aos US$ 150 milhões e às seis aeronaves de carga enviadas pelos EUA, ou ao grande envio de socorristas por El Salvador, o que intensifica a competição regional pelo chamado 'soft power'.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema, leia a reportagem abaixo.
