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Governo Lula Anuncia Emissão de Títulos em Yuan para Diversificar Dívida Pública

O governo brasileiro, durante visita do ministro da Fazenda a Pequim entre 24 e 26 de junho, anunciará a emissão de títulos de dívida em yuan, marcando uma nova fase nas finanças do país.

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15 de jun. de 2026
Governo Lula Anuncia Emissão de Títulos em Yuan para Diversificar Dívida Pública

O governo brasileiro planeja, em breve, emitir títulos de dívida pública voltados para o mercado financeiro chinês, com negociação em yuan.

Essa operação, que está sendo preparada pelo Tesouro Nacional há dois anos, deve ser anunciada durante a visita oficial do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a Pequim e Xangai, entre 24 e 26 de junho, conforme antecipou a Reuters na semana passada.

O ministro confirmou a informação na quarta-feira (10), durante a 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o 'Conselhão'. Ele afirmou: 'O mundo olha para o Brasil como uma grande casa de oportunidade'.

Embora seja um movimento restrito, essa ação se soma a outras iniciativas de 'desdolarização' da economia brasileira adotadas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que não tem sido bem recebido pelos Estados Unidos.

Em janeiro de 2023, no início de sua gestão, Lula sugeriu, durante uma visita a Buenos Aires, a ideia de criar uma moeda comum para os países do Mercosul e do Brics.

Dois meses depois, o governo anunciou um acordo com Pequim para realizar transações comerciais sem o uso do dólar americano, permitindo câmbio direto entre real e yuan.

O Ministério da Fazenda não informou à Gazeta do Povo quanto espera captar com a venda dos títulos, nem deu detalhes sobre ativos, como taxa de juros e prazos de vencimento.

A ideia de emitir títulos de dívida externa sem usar o dólar não é nova. No Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2024, publicado em janeiro, o Tesouro Nacional já mencionava a intenção de 'adaptar suas atuações para se alinhar às melhores práticas de gestão de dívida e avaliar oportunidades de emissões em outras moedas'.

Em novembro do mesmo ano, a então secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, revelou, em um evento com empresários chineses em São Paulo, que já existiam estudos do Tesouro para a emissão dos títulos em yuan.

Em junho do ano passado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, destacou que a emissão de títulos na moeda chinesa estava sendo estudada. 'Há uma curva de aprendizagem e um custo de captação que está sendo analisado', disse em entrevista à Bloomberg.

A estratégia de usar 'panda bonds', como são chamados os títulos emitidos em moeda chinesa, visa diversificar o perfil da dívida brasileira. Ceron afirmou que a medida também serve como referência para empresas que desejam realizar operações semelhantes.

Antes do governo, a empresa brasileira Suzano, do setor de papel e celulose, foi pioneira na América Latina ao emitir, no final de 2024, R$ 960 milhões em títulos em moeda chinesa.

Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, vê a iniciativa como positiva. Ele acredita que, além de diversificar, a emissão abre portas para uma nova base de investidores asiáticos. 'A China é um grande parceiro comercial do Brasil. Nada mais justo do que ter também parceria em outras áreas', afirma.

Atualmente, 3,8% da dívida pública federal é composta por títulos externos, que estão sujeitos à variação cambial. Marcos Vinícios Oliveira, analista da ZIIN Investimentos, lembra que o Tesouro já manifestou a intenção de aumentar essa participação para cerca de 7% na próxima década.

'A emissão em yuan não parece ser um movimento isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla de diversificação das fontes de financiamento do governo', explica.

Em abril passado, o Tesouro já avançou nesse sentido ao emitir títulos em euro pela primeira vez em 12 anos. Voltados ao mercado europeu, os papéis totalizaram € 5 bilhões, configurando a maior emissão de títulos internacionais da história do Brasil.

Na ocasião, chamou a atenção que 9% dos investidores participantes eram asiáticos. Para o Tesouro, os resultados com alta demanda, volume elevado e spreads baixos refletiram 'a percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade do país'.

No entanto, Oliveira alerta que a emissão de títulos em yuan envolve riscos. 'O principal deles é cambial: o governo arrecada impostos em reais, mas passa a ter uma obrigação em yuan. Se a moeda chinesa se valoriza em relação ao real, o custo efetivo aumenta', explica. 'Esse risco é semelhante ao da dívida em dólar'.

Além disso, o mercado em yuan tem menor liquidez e profundidade do que o da moeda americana. 'Embora a China seja a segunda economia do mundo, o yuan tem uma participação pequena no sistema financeiro internacional', aponta o analista da ZIIN Investimentos.

Enquanto o dólar representa cerca de 58% das reservas internacionais dos bancos centrais e domina os mercados globais de capitais, o yuan responde atualmente por cerca de 2% a 3% dessas reservas.

Do ponto de vista geopolítico, a emissão de 'panda bonds' públicos brasileiros acontece em um momento de pressão da Casa Branca sobre o Brasil, especialmente em relação ao sistema financeiro nacional.

O Brasil já enfrenta a ameaça de tarifas adicionais de 25% sobre diversos produtos exportados, devido a uma investigação com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que permite sanções contra práticas comerciais consideradas desleais.

No caso do Brasil, uma das práticas em investigação é o Pix, criado e operado pelo Banco Central (BC), que estaria impactando empresas americanas de tecnologia e meios de pagamento. A decisão sobre a aplicação das sanções deve ser tomada até 15 de julho.

Em 2024, o presidente americano, Donald Trump, chegou a ameaçar tarifas de até 100% a países do Brics, caso o plano de criar uma moeda comum ao bloco como alternativa ao dólar prosperasse.

'Embora a emissão de títulos tenha uma lógica financeira clara, ela será analisada pelos investidores também sob a perspectiva geopolítica', diz Oliveira.

Ainda que a emissão alcance alguns bilhões de dólares, o volume captado será relativamente pequeno em comparação ao estoque da dívida pública brasileira, que atualmente supera R$ 8 trilhões.

Texto adaptado com IA · conteúdo original preservado
Fonte original: gazetadopovo.com.br

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