Em uma entrevista ao Consultor Jurídico e Brasil 247, Andrei Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal, falou sobre o processo de internacionalização da instituição que lidera.
Ele afirmou que ações como as de Donald Trump não afetam a realidade brasileira. "Isso em nada interfere na soberania nacional, naquilo que nós já fazemos de enfrentamento ao crime organizado. Essa é uma questão interna dos Estados Unidos."
Confira o trecho da entrevista que aborda a internacionalização da Polícia Federal e a cooperação com outros países:
Como está a relação da Polícia Federal com outros países e quantos postos ela possui fora do Brasil?
Andrei Rodrigues explicou que a Polícia Federal atua em 34 países, em todos os continentes. Além dos adidos e oficiais de ligação, a PF está presente na Ameripol, a Associação de Polícias das Américas, e conta com policiais na Europol, a Associação de Polícias da Europa.
Ele destacou que a PF também está na Interpol, e pela primeira vez em mais de 100 anos, um brasileiro lidera a organização. O delegado Valdecy Urquiza foi eleito há pouco mais de um ano e agora comanda a maior associação de polícias do mundo, que reúne 196 países, mais do que a ONU.
Essa presença internacional amplia a capacidade de atuação da Polícia Federal, seja por meio de organismos multilaterais, seja através das adidâncias bilaterais. Um exemplo é o Centro de Cooperação Policial da Amazônia, inaugurado no ano passado, que reúne nove países da região amazônica, incluindo aqueles que não fazem fronteira com o Brasil.
O Equador, que também possui parte da Amazônia, participa desse centro. Além disso, há policiais trabalhando em conjunto nos nove estados da Amazônia Legal Brasileira, e no Centro de Cooperação do Rio de Janeiro, que tem foco no combate ao tráfico de drogas, um legado dos grandes eventos realizados na cidade.
Como é possível manter uma boa cooperação com outros países e, ao mesmo tempo, proteger a soberania nacional em situações como as que Donald Trump impõe?
Andrei Rodrigues respondeu que a defesa da soberania e das leis brasileiras é uma prioridade para a Polícia Federal. Essa é a base para a cooperação internacional.
Ele explicou que a cooperação é sempre fundamentada em tratados e acordos entre instituições ou países, garantindo que a troca de informações seja feita de forma legal e útil para as investigações tanto no Brasil quanto no país parceiro.
Ele enfatizou que, à luz da recente decisão dos Estados Unidos, é um erro grave equiparar facções criminosas a organizações terroristas.
As facções brasileiras têm fins lucrativos, enquanto as organizações terroristas possuem motivações ideológicas ou religiosas.
Essas diferenças significam que cada grupo requer investigações específicas, com legislações e mecanismos próprios, além de canais adequados para lidar com terrorismo e crime organizado.
Dito isso, é importante esclarecer aos cidadãos brasileiros que essa situação não afeta a soberania nacional nem as ações da Polícia Federal no combate ao crime organizado. A questão é interna dos Estados Unidos. Embora a soberania seja crucial, também há implicações econômicas que envolvem outras áreas do governo.
Focando na segurança, Rodrigues garantiu que nada vai impactar o trabalho da Polícia Federal. A cooperação com outros países continuará firme, como já acontece atualmente.
Atualmente, a Polícia Federal colabora com os 27 estados brasileiros por meio das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), um projeto financiado pela PF que integra polícias estaduais e municipais em um esforço apartidário que traz resultados significativos no combate ao crime.
A cooperação internacional da PF inclui várias ações, como a participação na Ameripol, Interpol, Europol e adidâncias em todo o mundo, que continuarão a funcionar como antes. A decisão dos EUA não mudará a legislação brasileira ou as políticas públicas de combate ao crime organizado.
A Polícia Federal possui uma Divisão Antiterrorismo com mais de 30 anos de atuação, que se dedica a enfrentar o terrorismo, um problema que, felizmente, o Brasil nunca teve que enfrentar até agora.
