Fontes consultadas pela reportagem afirmam que o anexo complementar apresentado pela defesa na semana passada não trouxe informações novas que possam mudar a visão dos investigadores sobre o caso.
A delação premiada é um acordo que permite a presos negociarem a redução da pena em troca de informações relevantes sobre atividades criminosas.
Integrantes da Polícia Federal informam que o novo material menciona repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o filme "Dark Horse", que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, os investigadores consideram que as informações não são inéditas e foram apresentadas mais como justificativa.
Nos bastidores, a avaliação é de que Vorcaro está tentando proteger pessoas públicas e, até agora, não apresentou fatos que possam realmente ajudar nas investigações.
A defesa do banqueiro tem esta semana para incluir novas informações na proposta de colaboração e convencer a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) de que ainda existem elementos úteis para as investigações. A decisão final sobre a homologação do acordo caberá ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que é o relator do caso.
Na semana passada, Mendonça se encontrou com a defesa de Vorcaro e, nos próximos dias, deve se reunir novamente com o advogado Sérgio Leonardo, que cuida das negociações. Segundo fontes, o ministro está acompanhando de perto tudo o que a defesa tem apresentado.
Fontes da Polícia Federal também informam que, nas últimas duas semanas, a equipe de defesa tem se reunido diariamente com Vorcaro, com algumas reuniões durando mais de seis horas.
A partir da próxima segunda-feira (15), o tempo limite para os encontros entre o investigado e seus advogados voltará a ser de 30 minutos diários.
No mês passado, a PF rejeitou uma primeira versão da delação. As negociações do acordo continuam sendo feitas em conjunto com a PF e a PGR.
Investigadores têm reclamado que o material apresentado pela defesa acrescenta pouco ao que já foi apurado pela PF, dando a impressão de que Vorcaro está tentando proteger pessoas próximas.
A PF apreendeu mais de oito celulares de Daniel Vorcaro, e a análise inicial de parte desses dispositivos já mostrou que o esquema do banqueiro vai além de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e o uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
Em 22 de maio, pessoas próximas ao banqueiro informaram que ele concordou em aumentar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido caso uma colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja firmada.
